Este é um projeto artístico dedicado à criação e reprodução de uma série de mezuzás, objetos tradicionalmente colocados nos umbrais das portas das casas judaicas. No projeto, a mezuzá será reinterpretada como um objeto de memória, proteção, passagem e pertencimento.
As peças serão inspiradas na história sefardita e na minha própria ancestralidade venezuelana. Minha família carrega heranças culturais espanholas e sefarditas que, ao longo das gerações, se encontraram e se misturaram com culturas indígenas caribes e afrodescendentes. Assim, cada mezuzá representará não apenas uma tradição religiosa, mas também uma identidade formada por encontros, deslocamentos e transformações.
o projeto nasce da necessidade de compreender e tornar visível uma história familiar marcada pela diáspora, pela miscigenação e pela transmissão fragmentada da memória. A trajetória sefardita atravessou expulsões, migrações e adaptações culturais. Na América Latina e no Caribe, essas heranças passaram a conviver com povos indígenas, populações africanas e outras comunidades migrantes.
Ao reproduzir e reinterpretar mezuzás, busco refletir sobre aquilo que permanece e aquilo que se transforma quando uma cultura atravessa territórios e gerações. A mezuzá se torna uma metáfora da porta: um lugar entre o interior e o exterior, o passado e o presente, a origem e o deslocamento.
O projeto também procura valorizar a identidade mestiça, não como perda de uma origem, mas como construção viva e plural.
O projeto será desenvolvido por mim, artista venezuelano e descendente de uma família miscigenada, marcada por referências espanholas-sefarditas, indígenas caribes e afrodescendentes.
Minha experiência pessoal é o ponto de partida da pesquisa, mas a proposta dialoga com histórias coletivas de migração, apagamento, resistência e pertencimento. O público inclui pessoas interessadas em arte, memória, genealogia, cultura judaica sefardita, diásporas e identidades latino-americanas.
O trabalho será realizado por meio de pesquisa histórica, familiar, simbólica e visual. Investigarei a presença sefardita na Venezuela e no Caribe, além das memórias, narrativas, imagens e objetos preservados pela minha família.
A partir dessa pesquisa, produzirei uma série de mezuzás utilizando materiais e elementos visuais relacionados às diferentes matrizes da minha ancestralidade. As peças poderão reunir:
Referências sefarditas e espanholas, como formas geométricas, inscrições, padrões ornamentais e símbolos ligados à memória doméstica;
Referências indígenas caribes, inspiradas em grafismos, materiais, paisagens e relações espirituais com o território;
Referências afrodescendentes, expressas por ritmos visuais, texturas, técnicas e símbolos de resistência e continuidade;
Elementos pessoais e familiares, como nomes, relatos, mapas, datas, fotografias ou fragmentos de histórias transmitidas oralmente.
As mezuzás poderão ser apresentadas como uma instalação, organizadas em portas, umbrais ou estruturas que sugiram uma casa simbólica. O processo poderá incluir registros fotográficos, textos sobre a história das peças e depoimentos relacionados à memória familiar.